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"Lugar (in)Comum" - Intervenções Artísticas no Espaço das Galerias Garret 60

  • 9 de jun. de 2012
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de abr. de 2023

Chiado| Lisboa | 2012 | Ângela Dias e Pedro Almeida

Projecto co-autoral para “cabeça piramidal”, a ser apresentado no dia 13 de Setembro no

espaço das galerias Garret 60 em Lisboa.



(…)”a cidade imaginada de Ítalo Calvino: a cidade de Tamara. Nesta cidade os visitantes são confrontados com um vasto conjunto de símbolos e letreiros, que indicam caminhos,

assinalam espaços ou limitando os comportamentos. O excesso de sinais que predominam em

Tamara impede o viajante de descobrir a verdadeira cidade, tornando-se num espaço limitado para a imaginação”.(1)


A escolha da cabeça escultórica, Expressionist Head, de Roy Lichtenstein, que recria o mundo

imaginário da Banda Desenhada, faz a ponte entre o trabalho dos artistas acima mencionados.

Se por um lado a presença da figura mitológica no trabalho da Ângela Dias, nos remete para

um período da história de arte - o Renascimento, por outro, a figura mais gráfica do trabalho

de Pedro Almeida, encaminha-nos para o período da Pop Art. Se os desenhos figurativos de

Ângela Dias retratam a passagem do tempo, da história e da memória, o trabalho de Pedro

Almeida retrata a figura real – não real da banda desenhada persistente no nosso mundo

contemporâneo.


É da observação cuidadosa dos monumentos, das esculturas e dos bustos sobre o pedestal,

que faz o desenho de Ângela D, criar a premissa para a estatuária um elemento presente da

Arte Pública.


Assim, é a partir do busto expressionista de Roy Lichtenstein, que faz referência à figura da

Banda Desenhada presente no trabalho de Pedro Almeida, e que trás reminiscências do

passado através do desenho da outra artista que o projeto “cabeça piramidal” se processa.


“ É importante salientar que o monumento desenvolve-se geralmente a partir de uma

”estrutura piramidal”, projetada por um arquiteto que em parceria com o artista, decidia o

enquadramento e o local onde seriam instaladas as esculturas. É, portanto, um trabalho

realizado em equipa, mas com uma clara separação de funções, na qual não existia

propriamente um sentido interdisciplinar”.(2)


Assim, partindo deste falso pressuposto, a intensão é produzir uma peça para um “não lugar” criando um sentido de nova pertença aos indivíduos que visitem o espaço expositivo, no dia da inauguração do Vogue`s Night Fashion Out.


(1) Ítalo Calvino, As Cidades Invisíveis. 5ª. Ed.Lisboa: Editorial Teorema, imp 2002. (Coleção Estórias, nº53.) pág.18

(2) Nos estudos fundamentados à escultura monumental não existem referências fundamentadas sobre esta questão. José Pedro Regatão, Arte Pública e os Novos desafios das intervenções no espaço urbano, pág.39.

 
 
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