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"Geometrias ou Impressões Digitais dos Deuses"

  • 3 de mai. de 2017
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de mai. de 2023

Galeria Sá da Costa | Lisboa | 2017





O tema da ruína tem sido recorrentemente tratado por artistas ao longo dos tempos, com particular insistência desde o Romantismo – abordado, muitas vezes, numa perspetiva ontológica, refletindo sobre a fragilidade intrínseca do destino do homem neste mundo, reinterpretando, outras vezes, os vestígios sobreviventes de uma memória histórica elidida para todo o sempre no fio irrecuperável do tempo sucessivo e, mais recentemente, com o advento do modernismo, como reflexão ética sobre a praxis social ou, pura e simplesmente, enquanto jogo de desconstrução e reconstrução de novas harmonias e equilíbrios formais.


Relativamente à exposição de Ângela Dias, patente agora na galeria da Livraria Sá da Costa, intitulada Geometrias, o tema da ruína reaparece, como leitmotiv, em quase todos os trabalhos expostos, conjugando uma reflexão sobre o espaço habitado - quando articula a dicotomia entre interior e exterior - com a dimensão mais colorista, emocional e espontânea que a prática da aguarela reclama.


É uma exposição composta por desenhos e objetos. Desenhos feitos a lápis de carvão com

aguarela e acrílico diluído. Objetos de esferovite desconstruídos e reconstruídos com cortes,

montagens e aplicações de camadas de gesso ou massa. Objetos que se relacionam com os

desenhos e vice-versa. Imagens desenhadas, fragmentos alusivos à casa, à ruína, à arquitetura e ao corpo, num diálogo figurativo e abstrato que, por outro lado, nos transmite, no imediatismo do gesto e da cor translúcida que o acompanha, sensações à flor da pele, contradizendo o racionalismo formal que o título da exposição sugere. A ambivalência que definem entre o espaço habitado por um corpo que, afinal, ele mesmo, cativo e intranquilo, o redefine e altera, sujeitando-o à volúvel qualidade das sensações, confere a estes desenhos, a cada um deles, o estatuto de brevíssimas “impressões digitais dos deuses” - citando o poeta Joaquim Castro Caldas. Nem poderia ser de outro modo pois, como afirmou Paul Signac “uma aguarela deve ser um amontoado de flores e a rapidez de execução, a exiguidade do formato, permite-lhe também livrar-se dos detalhes que poderiam confundir a sensação”.


José Sousa Machado

Maio 2017



OBRAS ADQUIRIDAS


EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

"GEOMETRIAS OU IMPRESSÕES DIGITAIS DOS DEUSES" | 2017

Sem Título

Material: gesso, massa e esferovite

Medidas: 80 x 39 x 14,5 cm



EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

"GEOMETRIAS OU IMPRESSÕES DIGITAIS DOS DEUSES" | 2016

Sem Título

Material: gesso, massa e esferovite

Medidas: 39 x 69,4 x 16,5 cm



EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

"GEOMETRIAS OU IMPRESSÕES DIGITAIS DOS DEUSES" | 2013/14

Sem Título

Material: aguarela, lápis de carvão e acrílico s/papel

Medidas: 42 x 58,2 cm



 
 
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