"Assembleia"
- 19 de jun. de 2013
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de mai. de 2023
Espaço AZ | Lisboa | 2013 | Ângela Dias, Vasco Futscher e Nuno Martinho
Ruínas
Conjunto de desenhos e de pequenas peças.
Os desenhos pareçam ser feitos para o nosso olhar os engolir. Olhamos de relance, ato único, de uma só vez e viramos costas. Mas nada disso acontece por fim. Nada engolimos. Temos que olhar de novo, desenho a desenho, um de cada vez, somando o anterior com o presente. Um estranho reconhecimento do espaço acontece.
O percurso que a linha inscreve é largo e cuidadoso porque definitivo. É a linha que instala os limites da mancha. A cor obedece a uma regra de contraste, separa o exterior do interior, diferencia temperaturas e consistências. O território que instala é inequívoco, sabemos exatamente em que zona estamos. É isso que percorremos sem mais nada, sem saídas nem entradas. O que há a percorrer, é a integridade das superfícies sem rodeios.
Afastamo-nos e um estranho reconhecimento do espaço acontece de novo. Olhamos para os desenhos todos juntos e fragmentos de um espaço maior parecem ter sido fixados no papel. Talvez fragmentos da vista aérea de um jardim desertificado, ou vista subaquática de recintos naufragados. Nada disso interessa agora. É preciso voltar atrás – fragmentos de um espaço maior parecem ter sido fixados no papel – descontinuamente. Em cada fragmento dá-se uma nova apresentação do espaço que, se nos aproximarmos, começa a ganhar as propriedades de um corpo. O que é que acontece aí? O reconhecimento de um corpo num espaço e o reconhecimento de um corpo que é espaço ao mesmo tempo. Acontece o desenrolar do corpo e o desdobramento do espaço. A cor pulsa dentro de limites concisos e a linha é uma faca.
A mesma operação de corte repete-se nas peças de esferovite. Trata-se de conseguir o inaudito: mais do que cortar os corpos, cortar a cor.
No fim, nada há de fragmentário. O que vemos são unidades fechadas em convulsão. E elas assinalam: os limites do espaço são os limites do corpo, perecíveis e metamórficos.
Francisca Carvalho
Lisboa, Junho de 2013.
OBRAS ADQUIRIDAS

EXPOSIÇÃO COLETIVA | "ASSEMBLEIA" | 2013
Sem Título
Material: lápis de carvão, acrílico e guache s/papel
Medidas: 42 x 59,5 cm

EXPOSIÇÃO COLETIVA | "ASSEMBLEIA" | 2013
Sem Título
Material: lápis de carvão, acrílico e guache s/papel
Medidas: 42 x 59,5 cm

EXPOSIÇÃO COLETIVA | "ASSEMBLEIA" | 2013
Sem Título
Material: lápis de carvão, acrílico e guache s/papel
Medidas: 42 x 59,5 cm

EXPOSIÇÃO COLETIVA | "ASSEMBLEIA" | 2013
Sem Título
Material: lápis de carvão, acrílico e guache s/papel
Medidas: 42 x 59,5 cm

EXPOSIÇÃO COLETIVA | "ASSEMBLEIA" | 2013
Sem Título
Material: lápis de carvão, acrílico e guache s/papel
Medidas: 42 x 59,5 cm




















